sábado, 9 de novembro de 2013

Inconformidade filial.

Já viu alguém inconformado e decepcionado com a própria família, com suas origens? Um jovem que não consegue entender como aprendeu tanto de pessoas tão "cabrestializadas"?

Pois é. Marcelo está se sentindo assim, e ele sabe que não é o único.

Marcelo nunca leu Simone de Beauvoir. Nem por isso Marcelo não é feminista: ele tem suas convicções. Marcelo tem menos de 20 anos e está entrando na faculdade agora. Nem por isso Marcelo é burro: ele estuda determinada linha de pensamento.

Marcelo se entende, sabe o que pensa e tem os seus argumentos. Marcelo pode estar errado. Mas a titia também pode estar. O que Marcelo não suporta é como a titia age com aquela pomposidade toda como se ser adulto fosse ser mais inteligente por pura lógica e sai por aí falando que Marcelo é bobo.

Marcelo tá crescido agora, saiu de casa, foi ver o mundo. Mas Marcela, sua irmã, ainda é criança e tem que ficar com os pais.

Marcela até queria conversar com o pai, mas ele não dava muito papo. Papai até deixava a porta aberta, mas nunca olhava pra Marcela, e quando o ouvia, fazia aquele discurso. Marcela não tinha outra opção se não ouvir.

E aí, o que Marcelo faz? Nem ele sabe. Ele tá fora de casa e não pode meter muito o bedelho. Marcela, por outro lado, não tem como fazer nada, trancaram ela no quarto. De qualquer forma, hoje ela sai de casa e aí não vai mais poder meter muito o bedelho também.

Eu não sei o que eles podem fazer, mas sei como eles se sentem.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Falei pro DJ pra fazer diferente

Oi, tudo bem?

Essa mensagem é pra você, amiga da minha mãe. É, você que não me conhece muito bem mas me acha uma filha exemplar. Tô aqui hoje pra acabar com essa sua visão. Ou pelo menos parte dela.

Eu sei que você me acha um exemplo de jovem por ter "bom gosto" musical. Eu sei que você provavelmente gostaria que a sua filha também gostasse das músicas que você gosta que eu goste. Eu sei que você não usa com frequência a internet, mesmo tendo acesso irrestrito a ela. Eu sei que você não conhece a gama de tipos de jovens como eu. Eu sei que você restringe a minha geração a alguns estereótipos (alguns deles bons na sua cabeça, por mais que você vá negar isso, achando que estou usando a palavra "estereótipo" com uma ideia negativa)

A gente tava junto, esses dias. Eu, você, minha mãe e mais alguns alguéns, lembra? Então, eu fiz algum tipo de brincadeira e acabei cantando um daqueles funks brasileiros "antigos". Era uma música de 2000 ou 2001, talvez. Caráter machista nas entrelinhas, mas que eu achava hiper engraçada quando criança.

Foi automático. Eu praticamente declamei "dói, um tapinha não dói" e seu grito ecoou "Nossa! Uma menina que gosta de Beatles candando FUNK?" É, pois é. Eu gosto de Beatles e cantei um funk.

Sei que você deve achar isso um absurdo. E espero que deixe de achar depois desse texto -que eu sei que você não vai ler, já que você nem entra na internet e já que, com certeza, o meu blog abandonado seria o 793º site que você iria acessar-, mas eu, no fundo, mesmo torcendo pro inverso, prefiro que você continue achando um absurdo mesmo.

Vamos lá. Você não sabe, mas gostar de Beatles na minha idade não é nenhum diferencial. Quase todo mundo que eu conheço conhece Beatles. A maioria gosta. Outra parte gosta de umas músicas só. A minoria não gosta, mas conhece. Eu não sou exceção por gostar dos Beatles. Eu faço parte de uma maioria, pelo menos no meu círculo social.

Outra coisa que você não sabe: a minha mãe me ensinou desde pequena a conhecer todo e qualquer tipo de música. "Você precisa ouvir de tudo pra saber do que verdadeiramente gosta". E, amiga da minha mãe, foi mal, mas eu tento, tento e tento mas não consigo ouvir de tudo. Tem mais coisa por aí do que eu -e você, principalmente- sabemos. De qualquer forma, eu vivo no Brasil, eu moro no Rio de Janeiro. Não é porque eu gosto de Beatles (única referência que você usa pra se referir a mim como "uma menina de gosto muitíssimo exemplar") que eu vou fechar os ouvidos pro que me cerca.

Eu ouço funk sim, amiga da minha mãe. Eu posso não fazer download da música da MC Mayara ou da clássica -é agora que você morre do coração- Gaiola das Popozudas, mas eu conheço várias das músicas delas (mesmo que a MC Mayara tenha só uma). Eu gosto de Beatles mas conheço muitos funks, e nem por isso o meu gosto é "menos melhor". É simplesmente meu. Eu gosto de Beatles e gosto de alguns funks, nem por isso eu sou "cachorra". Eu só sou, no sentido sem clichês da palavra, eclética.

Não sei se você vai continuar me achando exemplar depois disso tudo. Mas eu gostaria que pessoas como você abrissem a cabeça pra multiculturalidade desse brasilzão de meu deus, que nem sempre vem com poesias maravilhosas e arranjos bem feitos, mas com o mesmo ritmo repetido e letras que você sempre taxa de machistas -e você também deveria saber que tem gente por aí tentando provar que muitas delas são altamente feministas-.

Bora curtir tudo quanto é música, querida?

Desligo aqui meu batidão, obrigada.

OBSERVAÇÃO: a autora dessa mensagem está aberta a indicações de músicas da MC Mayara, pois depois de ouvir "Teoria da Branca de Neve" perdeu qualquer vontade de procurar outras músicas. Bonde do Rolê não vale, é quase indie. Se quiser ganhar o coração da autora, favor mandar uma música do MC Marcinho. 

domingo, 7 de abril de 2013

Amor de ônibus é uma droga

Fiz um trocadilho PÉSSIMO esses dias e postei aqui, solto. Depois de postar, pensei numa idéia melhor, que eu mesma prefiro.

Espero que eu e vocês gostemos mais dessa versão.



sábado, 30 de março de 2013

sexta-feira, 29 de março de 2013

(Tentativa falha de) Pintura reflexiva do dia

Ok, eu realmente estou considerando a ideia de tornar esse assunto semanal, já que postar uma foto todo dia é quase impossível, e se rolasse, seria um saco total.

A imagem de hoje me fez refletir sobre o seguinte pensamento sábio: "Não importa o quanto você queira pintar bem, você não vai conseguir, Anna Terra" e é isso aí.

Eu peguei uma tela que fiz uma "pintura" tenebrosa com quatro cores e alguns quadrados e outras formas geométricas entediantes (e que estava pendurado na cozinha porque minha mãe quis expor aquilo só pelo fato de eu ter feito - fofice pura) e transformei.

Ficou outra tenebrosidade, mas pelo menos você pode dizer "que quadro horrível" (eu espero) e não "olha que legal o seu trabalho da 4ª série".

Perceba que tentei parecer boa e até textura eu fiz.

Sabe Deus (ou a entidade de sua preferência) (ou entidade nenhuma, como adicionou a minha mãe às 23:13) se eu tentarei de novo. 


quarta-feira, 27 de março de 2013

Imagem reflexiva do dia

Cá estou eu, perambulando pelas terras sem dono do tão querido Tumblr (companheiro de férias). Terra sem dono, sem lei, mas com (pelo menos a parte de que conheço) muito amor pra espalhar.

Eis que surge a imagem que não sai da minha cabeça pelo simples fato de que me levou a vários questionamentos.

Não são suas axilas, não é seu problema

Comecei a prestar mais atenção ao feminismo e ao movimento LGBT há aproximadamente dois anos e até hoje as perguntas que essa imagem me trouxe são as mesmas de 2010, 2011. Acho, inclusive, que essas perguntas são as que impulsionam todo o ativismo (de sofá ou não). E nem sei se elas vão ser respondidas um dia.

A imagem se refere a axilas (sovaco, subaca, ou seja lá o apelidinho que você prefira), mas fala sobre tudo. Isso. Tudo. Por que tem sempre um chato pra notar se a gente tá com as axilas depiladas? Por que, se eu for um cara, sou socialmente obrigado (na teoria sempre né) a ter uma floresta embaixo do braço?

Por que tem sempre alguém que acha que pode mandar no que a gente faz ou deixa de fazer com o nosso corpo e com a nossa mente? Minhas axilas e o resto do meu corpo são parte de mim. Eu decido o que fazer com o meu corpo, você pode se retirar e cuidar do SEU, que é o que você deveria fazer?

Quaisquer outras dúvidas, eu continuo postando. E vocês comentando, se possível.

Colégio

Em que passo andam a saudade e a nostalgia?
Existe saudade sem ser nostálgica?
Existe nostalgia sem saudade?
A nostalgia vem antes da saudade ou a saudade vem antes da nostalgia?
Esse bando de perguntas me faz saudosa ou simplesmente nostálgica?

domingo, 24 de março de 2013

Só quero dizer que

descobri que gosto de ser quem eu sou
descobrindo que não gostava de ser o que eu era

(basta descobrir como gostar de quem eu vou ser)




Ao anônimo do blog da Carol, obrigada pelo incentivo. Aos poucos voltarei. 

sábado, 21 de abril de 2012

Let's karma fuck us up

Hoje decidi esperar, não fazer mais nada, deixar o carma agir. Como já dizia o filósofo biscoitinho da sorte: "a espera não é uma esperança vazia, possui a certeza interior de alcançar seu objetivo". Que a ciclo da vida se recomece e que a reciclagem de matéria morta seja benéfica.

Pra Carol, Bel e Luma.

sábado, 7 de abril de 2012

( )

Percebi que amo parênteses
Amo dar exemplos
Amo perder a linha de raciocínio
e não saber como transcrever de uma forma linear
Amo não lembrar o que estava pensando
Amo (mas me irrita)...
o quê mesmo?